Teoria bubble-up e o fenômeno dos blogs de moda

Já falamos anteriormente do trickle down, que por muito tempo foi a teoria de difusão e aceitação da moda. A Alta Costura foi e ainda é um exemplo de uma moda que se dissemina dos altos extratos sociais para os mais baixos, massificando as tendências até o desgaste.

Mas, após a ascensão do prêt-à-porter e do pensamento jovem, que dominou os anos 60, as ruas passaram a ser grande fonte de pesquisa para a moda. O fenômeno ganhou uma proporção ainda maior após a informatização da informação.

Um dos grandes pioneiros em mostrar a moda de rua foi o fotógrafo Bill Cunningham, do New York Times, seguido de Scott Schumam, que popularizou a moda de rua em seu blog The Sartorialist.
 

Fotógrafos Bill Cunningham e Scott Schumam, respectivamente/ Reprodução

Após esse fenômeno de fotografar anônimos, jovens de diversas tribos urbanas e fashionistas nas filas das semanas de moda, o street wear passa a influenciar a criação até mesmo das grandes casas de costura. A observação das ruas e do que as pessoas querem, usam na vida real ou querem consumir em massa, passa a ser fundamental.

O ciclo da moda nesse caso se inverte: os pesquisadores observam tendências de comportamento. Os usos diferenciados de determinadas peças pelos jovens nas ruas de grandes cidades decodificam esses comportamentos, que se traduzem em macro e micro tendências, utilizadas posteriormente pelos criadores de moda.

Em resumo: se no Trickle Down o ciclo da moda é vertical e de cima para baixo, na teoria Bubble Up ele é horizontal e torna as pessoas anônimas, as tribos urbanas e os jovens na mesma linha, traduzindo as tendências de baixo para cima.

A teoria Bubble Up aponta que essa é uma das grandes mudanças ocasionadas pela globalização e sociedade da informação, visto o fenômeno das blogueiras que vendem seus looks como água e encabeçam campanhas para grandes marcas, criam linhas de roupas etc. E ainda dizem que moda é algo supérfluo hein? Moda também é business!

 

 

 

A teoria Bubble Up traduz a inversão da origem das tendências de moda/ Reprodução

 

Por Gabriela Maroja
Professora e Coordenadora da Graduação e Pós Graduação em Moda do Unipê/JP

 

 

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