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13/10/2020

Tabela de medidas feminina: diversidade de corpos e o que diz a ABNT

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pelas normas de padronização no Brasil, está em processo de elaboração da norma que vai fornecer a nova tabela de medidas femininas.

Após reunir as medidas do corpo humano feminino e elaborar um projeto prevendo a abrangência de tamanhos plus size e os shapes triângulo, retângulo e colher, a previsão era de uma consulta nacional em 2017.

Contudo, até que haja a consulta nacional, revisão do texto e publicação na ABNT, a norma que apresenta a tabela de medidas femininas é a NBR 13377, de 1995, um documento que não é específico sobre a moda feminina – ele é um documento genérico e que apresenta padrões referenciais para a moda masculina, feminina e infantil. 

Esta norma genérica foi substituída, no caso da moda infantil, pela NBR 15800, de 2009, e no caso da moda masculina, pela NBR 16060 de 2012, enquanto a norma para roupas femininas continua sendo objeto de estudo.

 

O que determina a tabela de medidas femininas da ABNT

Até o momento, as normas técnicas determinam que a medida referencial para blusas, blazers, camisetas, vestidos, sutiãs, biquinis, maiôs, colans e similares seja o busto. A recomendação é que seja feita a medição circunferencial, de forma horizontal, com a fita métrica. Para isso, passe a fita sobre as omoplatas, abaixo das axilas e sobre a parte mais saliente do busto. A tabela de medidas femininas referencial é a seguinte:

 

tabela de medidas femininas

 

A medida referencial feminina para a confecção de calças, bermudas, shorts, saias, jardineiras, calcinhas e similares é a cintura. A NBR 13377 da ABNT recomenda que seja feita a medição circunferencial com fita métrica de forma horizontal, passando pelo ponto mais côncavo da cintura. A tabela de medidas femininas referencial para estas peças é a seguinte:

 

tabela de medidas femininas

 

Além da tabela de medidas femininas

Mas falar de uma padronização de medidas sem uma atualização de acordo com a diversidade de corpos femininos é um assunto muito mais complexo. Enquanto a nova norma técnica não entra em vigor, cabe muita reflexão e pensamento amplo para atender as diferentes mulheres brasileiras e suas características únicas.

É o que propõe Ana Luiza Olivete, designer de moda, consultora empresarial e professora, em sua coluna disponível abaixo para leitura e inspiração para as suas próximas criações. Não deixe de ler e nos contar sua opinião nos comentários:

Padrão de medidas x corpos “fora do padrão”

Falar de padronização de medidas é um tanto complexo. Existe um padrão? Conseguimos colocar numa caixinha toda a pluralidade, diversidade e miscigenação brasileira?

A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, nas suas NBRs – Norma Brasileira de Referência, tentou elaborar uma tabela para padronizar as medidas corporais e assim facilitar o processo de numeração dos produtos de moda.

Tanto que, em 2009, foi elaborada a ABNT NBR 15800:2009 – Referenciais de medidas do corpo humano – Vestibilidade de roupas para bebê e infanto-juvenil, tabela que também acompanha, em altura, a curva de desenvolvimento da criança estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e assim, oferece uma tabela que pode guiar o desenvolvimento de produto, pois estabelece os saltos de crescimento idade a idade.

Em 2012, foi elaborada a ABNT NBR 16060:2012 — Referenciais de medidas do corpo humano — Vestibilidade para homens corpo tipo normal, atlético e especial. A norma apresenta o corpo masculino e as variações para um corpo dito normal (onde medidas de tórax e cintura são iguais ou próximas), um corpo atlético (onde a medida do tórax é maior que a medida da cintura) e um corpo especial (cuja medida da cintura excede a medida do tórax).

Assim, salienta que “estabelece um sistema de designação de tamanho que indique (de maneira simples, direta e significativa) o tamanho do corpo masculino em que uma peça de vestuário deve servir exatamente”.

Parece fácil, né? Mas não é! Tanto que, até hoje, não foi possível desenvolver uma norma para o corpo feminino, que acredito ser o mais difícil.

 

Diversidade de corpos

Porém, em 2005, o Senai-Cetiqt do Rio de Janeiro, iniciou uma pesquisa, intitulada Pesquisa Antropométrica, que salientava que “nosso país possui uma diversidade populacional muito rica. Não existe um padrão de corpos que seja válido para todo o território nacional. Pelo mesmo motivo, não havia uma metodologia pré-existente que fosse adequada aos objetivos do projeto”. 

A pesquisa atuou, ao longo de anos, até a aquisição do 3D Body Scanner da TC², um scanner para captar as medidas do corpo humano nas diferentes regiões do país. Em 2012, começou uma “pesquisa de campo que percorreria todo o Brasil, mensurando em torno de 10 mil pessoas, entre 18 e 65 anos, nas cinco regiões do país, percorrendo 16 estados e 27 cidades”.

O resultado final da pesquisa ainda não foi apresentado e não se encontra dados a respeito de sua finalização. As últimas notícias datam de 2018, porém no artigo “SizeBR – O Estudo Antropomético Brasileiro” apresentado no 4th International Conference and Exhibition on 3D Body Scanning Technologies em novembro de 2013, na cidade de Long Beach/CA, diz que a grade obtida cruza três classes de formas contra quatorze de tamanhos, totalizando 42 corpos padronizados e 91,2% de enquadramento na população, dividida em cinco regiões.

 

Desafio para quem produz moda, e para quem a veste

Essa falta de padrão e a luta constante dentro de provadores de lojas fez com que a professora e designer de moda Júlia Coelho Brandão decidisse pesquisar o tema em sua dissertação de mestrado pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

Segundo o site da Universidade de São Paulo, “o estudo constatou que é possível implementar um sistema padronizado que ofereça mais possibilidades de medidas de circunferência do corpo e altura, sugerindo que esse sistema contemple os diversos tipos físicos existentes, como alturas iguais para pesos diferentes e pesos iguais para alturas distintas em todas as faixas etárias. Seria uma tabela mais ampla, com mais variações em dimensões de altura e largura do que temos atualmente”

A ABNT também está fazendo uma norma técnica para o público feminino. De acordo com Maria Adelina Pereira, do Comitê Brasileiro de Normalização Têxtil e do Vestuário da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o órgão busca a implementação do conceito de vestibilidade, em que o tamanho não seria indicado por P,M,G ou números 40 ou 42, mas sim pela medida do corpo que aquela peça foi criada para vestir.

Cada vez mais complexo, não?

O que vale ressaltar é que cada empresa varia as dimensões das grades de acordo com seus interesses mercadológicos e com o trato emocional com o cliente, que muitas vezes não concorda em vestir determinado número, mesmo que esse atenda seus conceitos de vestibilidade e ajuste ao corpo.

“Mas como é uma norma referencial, não há como obrigar a empresa a utilizar”, ressalta Julia Brandão. “Seria preciso o desenvolvimento de políticas públicas que estimulem a construção de um amplo sistema padronizado, assim como a implementação, por parte das empresas de confecção, na adoção de uma padronização. Além da realização de ações educativas e de comunicação em instituições de ensino e também para a população em geral”, finaliza.

 

Sobre a colunista

Ana Luiza Olivete é designer de moda, consultora empresarial e professora.

6 respostas para “Tabela de medidas feminina: diversidade de corpos e o que diz a ABNT”

  1. Ivan Zegales disse:

    Boa tarde.
    Em calças que não são jeans, em tecidos mais maleáveis, é obrigatório usar as medidas 36, 38, 40… Ou posso só por na etiqueta dessas calças P, M, G… sem medo ser autuado e multado pelo Inmetro ?

  2. Elisa Martins Prado disse:

    Olá, não sei a medida do meu busto, e não tenho fita métrica. Posso me basear pelo tamanho do sutiã que eu uso?

    • Audaces disse:

      Olá Elisa,
      A medida baseada pelo tamanho do sutiã não será totalmente consistente, caso queira uma mais precisa será necessário comprar a fita métrica e medir.

  3. Joice disse:

    Olá, como eu faço para conseguir as medidas padrões de corpo feminino para produzir e graduar minhas peças ?

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