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26/08/2013

Prêt-à-porter: a história de como tudo começou

Pierre Cardin foi o primeiro a abrir um departamento de prêt-a-porter (pronto para vestir, em francês; em inglês é ready-to-wear) numa grande loja, a Printemps, em Paris no ano de 1959, e não contou com o apoio da Câmara Sindical, responsável pela tutela da alta-costura, sendo convidado a sair do clube por este motivo.

Mas, quem realmente promoveu o prêt-a-porter foi Yves Saint Laurent. Em 1966, o estilista cria uma coleção visando a fabricação comercial, e não mais adaptando-a à alta-costura. Como a alta costura estava concentrada na margem direita do Rio Sena, Saint Laurent abre na _rue de Tournon, em Paris, a primeira butique Saint Laurent Rive Gauche, precursora de centenas de butiques femininas, e depois também masculinas, no mundo inteiro.

 

 

 

Os estilistas Pierre Cardin (E) e Yves Saint Laurent (D) marcaram a história da moda prêt-à-porter/ Reprodução

O sucesso da adaptação da alta costura à fabricação em série se deve basicamente à confiabilidade e foi preciso criar um sólido vínculo entre a imaginação do costureiro e as limitações de uma fabricação que permite retoques. Limitação dupla, que propõe dois desafios: 
um ao industrial, que a partir do desempenho de um determinado estilo de produto conceberá a dinâmica de todas as demais coleções; 
outro ao costureiro, forçado a criar um estilo mais ativo, que já não corresponde às “mãos de fada”, únicas artífices da alta-costura.

O fator que mais contribuiu para o sucesso da produção de moda pronta para ser usada foi a concepção estética global, que desde a criação das primeiras butiques propôs a inclusão de linhas de acessórios, como joias e perfumes.

Os créateurs de mode ou criadores de moda pertencem à Câmara Sindical do Prêt-à-Porter dos Costureiros e dos Criadores de Moda, criada em 1973 e presidida por Ralph Toledano. Para pertencer a esse clube é necessário: estrutura jurídica estabelecida, situação comercial sólida e notoriedade.

Na década de 1980, esse grupo era composto por 22 maisons de alta-costura e mais: Angelo Tarlazzi, Anne-Marie Beretta, Azzedine Alaïa, Cerruti 1881, Chantal Thomass, Chloé, Claude Montana, Dorothée Bis, Emmanuelle Khanh, Hermès, Jacqueline de Ribes, Jean-Charles de Castelbajac, Jean-Paul Gaultier, Karl Lagerfeld, Kenzo, Popy Moreni, Schiaparelli, Sonia Rickiel, Tan Giudicelli, Thierry Mugler.

Na última edição da Semana do Prêt-a-Porter de Paris (Fevereiro-Março de 2013), desfilaram oficialmente os seguintes nomes: Moon Young Hee, Steffie Christiaens, Ground Zero, Le Moine Tricote, Dévastée, Véronique Branquinho, Cédric Charlier, Anthony Vaccarello, Aganovich, Julien David, Jacquemus, Christophe Lemaire, Damir Doma, Guy Laroche, Nicolas Andréas Taralis, Alexis Mabille, Dries Van Noten, Felipe Oliveira Baptista, Rochas, Gareth Pugh, Peachoo+Krejberg, Rue Du Mail (by Martine Sitbon), Mugler, Balenciaga, Carven, Manish Arora, Ann Demeulemeester, Sharon Wauchob, Balmain, Barbara Bui, Rick Owens, Nina Ricci, Christian Wijnants, Lanvin, Olympia Le Tan, Roland Mouret, Chalayan, Issey Miyake, Anne Valérie Hash, Christian Dior, Isabel Marant, Af Vandevorst, Vanessa Bruno, Maison Martin Margiela, Sonia Rykiel, Yohji Yamamoto, Junya Watanabe, Haider Ackermann, Tsumori Chisato, Martin Grant, Viktor & Rolf, Acne Studios, Véronique Leroy, Vivienne Westwood, Comme Des Garçons, Jean Paul Gartier, Loewe, Kenzo, Andrew GN, Costume National, Céline, Maxime Cimoens, Maison Rabih Kayrouz, Chloé, John Galliano, Akris, Hexa By Kuho, Givenchy, Stella, Sacai, Léonard, Giambattista Valli, Valentin Yudashkin, Paco Rabanne, Emanuel Ungaro, Amaya Arzuaga, Jean Paul Lespagnard, Saint Laurent, Fatima Lopes, Chanel, Agnès B., Jean-Charles de Castelbajac, Hakaan, Valentino, Junko Shimada, Alexander Macqueen, Shiatzy Chen, Paul & Joe, Hermès, Louis Vuitton, Vionnet, Moncler Gamme Rouge, Allude, Miu Miu, Mashama, Elie Saab, Jitrois, Lie Sang Bong.

Hoje esse grupo é composto por um número muito maior de nomes e teve a sua estrutura copiada por outras capitais da moda. Fora as Semanas de Moda de Paris, outras grandes metrópoles produzem e são reconhecidas como capitais da moda, como Londres, Milão e Nova Iorque. Para isso, os calendários dessas capitais são estabelecidos de forma que a imprensa possa acompanhar os lançamentos sem choque de datas.

Cada vestido custa em média 5.000 dólares, e seus produtos são comercializados em boutiques exclusivas ou em grandes magazines.

Por Maria Alice Rocha
Doutora (PhD) em Design de Moda

Para saber mais
modeaparis.com/en
DURAND, José Carlos. Moda, luxo e economia. São Paulo: Babel Cultural. 1988. 135p.
LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras. 1989. 294p.
O’HARA, Georgina. Enciclopédia da moda. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 299p.
VINCENT-RICARD, Françoise. As espirais da moda. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1989. 249p.
 

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