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10/11/2014

O exuberante e o discreto: Jonh Galliano na Maison Martin Margiela

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP

A colunista de lifestyle da revista Forbes, Alicia Adamczyk, trouxe no início do mês de Outubro uma notícia capaz de estremecer as estruturas da moda. Alicia diz: “O filho pródigo retorna!”. John Galliano, uma das forças mais célebres, mas controversos na moda hoje, foi nomeado diretor criativo da Maison Martin Margiela.

Renzon Rosso, o presidente do grupo OTB, que detém Maison Margiela, disse em um comunicado de imprensa da casa de moda francesa que está "pronto para uma nova alma criativa e carismática."

"John Galliano é um dos maiores talentos indiscutíveis de todos os tempos", disse Rosso. "Um cortesão único, excepcional para a Maison que sempre desafiou e inovou o mundo da moda. Estou ansioso para seu retorno ao criar esse Fashion Dream, que só ele pode criar."

Galliano, de 53 anos, passou quase um quarto de século em Christian Dior antes de cair em desgraça após arremessar declarações anti-semitas em um bar de Paris em setembro de 2011, que foram capturados em vídeo. Um tribunal de Paris condenou Galliano por insulto público e o designer foi exilado da moda. Sua marca homônima ainda é de propriedade da LVMH, o maior grupo de luxo do mundo. Atualmente, ele está envolvido em um caso legal contra Christian Dior SA e John Galliano.

Agora, o designer, conhecido por suas coleções exuberantes e reverenciado como um dos estilistas mais proeminentes em Paris, retorna para assumir o controle de todas as linhas de Margiela e é esperado para fazer sua estreia em Paris Couture Week, em Janeiro. O DNA criativo de Galeano sempre foi a ousadia, o lúdico, o exagero e exuberância. Ele soube como nenhum outro traduzir os anseio de Christian para a mulher que saía do pós-guerra no final dos anos 40 e queria deixar de ser militarizada e ser uma diva exuberante. Galliano durante sua estadia na Dior parte desta premissa criativa e cada vê mais reafirma a estética do belo e do sublime em cada coleção.

 

 

 

 

Dior Alta-Costura, Primavera 2004. Fonte: Style (2004)

Maison Martin Margiela construiu seu DNA estético com outros elementos como a discrição, precariedade, o inacabado e a imperfeição. O acabamento da roupa é exposto, ou seja, em muitas peças as costuras, as marcações e os pespontos que ficam escondidos do lado avesso estão à mostra do lado de fora. As linhas e as sobras de tecido de um recorte, por exemplo, fazem parte do processo de construção e elaboração de algumas peças. Com a exposição dos elementos que constituem a estrutura da peça de roupa, as partes da construção e o processo de costura ficam aparentes e a roupa é desvendada em sua confecção, deixando claro como ela foi montada e costurada.

Esta característica podem ser vista em muitas coleções. As pesquisadoras de moda Cristina Rabelo e Cristiane Mesquita estudaram a construção do DNA da Maison Martin Margiela, confirmando esta maneira de criar da casa Maison parisiense. Ela afirma que algumas vezes até o manequim de modelagem foi explorado como ponto de partida para a coleção inteira. Foi utilizada tanto a própria forma do manequim como a ideia do que ele representa: a base para a construção de uma peça. Nessas coleções, pode-se observar jaquetas e coletes feitos em semelhança com a forma do manequim, tais como vestidos, blusas, saias e calças com aspecto de “ainda em construção”, utilizando uma estética da imperfeição.

Galliano não fez segredo de seu desejo de voltar à moda. No ano passado, ele passou três semanas no Oscar de la Renta em um papel de designer, alimentando especulações de que ele iria assumir para de la Renta após sua aposentadoria inevitável. Uma jogada arriscada para de la Renta, as negociações fracassaram quando Galliano insistiu em trazer sua própria equipe para a famosa casa de moda americano.

 

 

 

 

 

 

Vestido inacabado com o forro a mostra, outono-inverno 2003/04. Fonte: Margiela (2008).

As peças de roupa de Margiela são inacabadas, umas com costuras abertas, outras com costura do lado de fora, vestidos riscados com caneta de alfaiate que marcam recortes e pences da peça e ainda elementos construtivos, como ombreiras e zíperes, costurados como na fase de experimentação da peça.

 

 

Vestido inacabado com o forro a mostra, outono-inverno 2005. Fonte: Margiela (2008)

É também um movimento ousado para Margiela. Após o fundador da casa, o Margiela famosa recluso, se aposentou em 2009, uma equipe não identificado foi deixado no comando. Agora, a casa está no centro das atenções com a nomeação de Galliano. E se a história é qualquer indicação, é provável que ele vai ficar. Cabe a nós esperarmos até Janeiro para vermos como a exuberância sublime de Galliano vai encaixar-se na discrição subversiva da Maison Martin Margiela.

 

 

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