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21/05/2013

Listras: riscado de ousadia para o verão

No verão que se avizinha, as listras são como verdadeiros códigos. Trazem embutidas na alternância de cores, informações de outras estações e de modas ancoradas no passado, de tons que se apoiam no modelo de repetição que confunde o olhar.

A linearidade se expõe em espessuras diversas, embasa referências paralelas e unidirecionais incorporadas ao cotidiano e dele colhidas como tendências. Linhas que assinalam recortes cheios de significados, memórias e histórias.

Verticais, horizontais, retilíneas ou sinuosas, as listras desfrutam de liberdade. São urbanas nas icônicas camisetas de estilo navy, que nos tons de azul-marinho e vermelho remetem às espreguiçadeiras que saltam de algum filme cult com cenário na costa francesa ou italiana, onde o figurino poderia ser assinado por Jean Paul Gaultier.

O estilista francês fez do padrão uma assinatura particular que veste “mariners” em suas coleções, desde os anos de 1980. No entanto, as mesmas linhas não se furtam à formalidade e mergulham com rigor – ao cair da noite – nos vestidos de festa e terninhos marcados pelo efeito ótico.

 

Imagem: Desfile Ronaldo Fraga Verão 2014/ Fonte: Site FFW

Marcante pela oposição das cores, a tendência engatilhada, há duas temporadas ensolaradas, reposiciona e amplia a variação de tons. Foge da dualidade para estabelecer uma sequência mais extensa e vibrante.

A ousadia recria novas leituras para o classicismo do navy com uma paleta cítrica atenuada pelo azul. As faixas também surgem texturizadas na trama dos fios, na aplicação de paetês e intervalos definidos pelas transparências.

No capítulo da história antiga, o traçado claro e escuro das vestimentas traduz conceitos e abriga valores anteriores ao protagonismo da moda contemporânea. O livro L'étoffe du diable: Une histoire des Rayures et des Tissus Rayes (O tecido do diabo: uma história de listras e tecidos listrados, Seuil, 1991), do francês Michel Pastoureau, enfatiza o confronto dual das cores associado à falta de pureza, exclusão, rebeldia e desonra.

O autor – especialista em arte e história medieval – explica que esses rótulos atribuídos pela igreja cristã são abrandados gradativamente pelas ideias iluministas. Logo, as listras passam à heráldica para constituir brasões de etnias, clãs e famílias. No riscado da moda atual são mais transgressoras do que nunca.

Na moda, desde que a transgressora Coco Chanel passou a adotá-las em suas criações e Jean Paul Gautier tornou-as cativas a partir dos anos 80 em suas coleções, elas são símbolos do estilo navy que navega de vento em popa em todos os verões. 
Basta rever cada álbum dos últimos desfiles de Paris, Londres e Milão para a temporada e constatar que as listras gozam de liberdade. Uma tendência seguida à risca pela maioria dos estilistas.

Por Raquel Medeiros
Jornalista pela UFPB, coolhunter e editora do site Nas Entrelinhas

 

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