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11/12/2012

Homem e tecido: evolução e relacionamento

Originário do latim, texere significa o hábito de entrelaçar diversos tipos de fios na horizontal (a trama) e na vertical (o urdume). Os antigos egípcios já teciam as fibras do linho que compunham suas vestes e esse relacionamento homem/tecido se desenvolveu ao longo dos séculos. 

Na Grécia homérica, o fio de Moira, a grande tecelã. Também a lenda grega de Aracne, que se faz valer como tecelã que confia nas suas habilidades, desafiada por Atena que num concurso de tecelagem transforma Aracne em aranha, punindo-a por tecer melhor.

Os fios tramam contextos, histórias, arrematando elos de nossa cultura. Mas o que seria um tecido? A princípio o que nos vem à mente é um pedaço de pano com variações de cores, formas e texturas.

 

Imagem: Livro Fashion Design – Manual do estilista

Por meio de seus signos como roupas, trajes, moda e utilitários, o tecido é um dos mais fortes e antigos meios de comunicação da humanidade. No século XVII, em função do seu alto valor, era considerado um bem de luxo, figurando como herança de testamento. O alto valor era justificado pela demorada execução, passando de fibra à tecelagem.

Desde a pré-história, o homem procurou aperfeiçoar a produção de objetos que satisfizessem suas necessidades básicas. Onde colocar os frutos colhidos das árvores? Qual a melhor maneira de armazenar a comida e carregar filhotes e caças? O que fazer quando a neve e o sol afligiam seus corpos?

Essas indagações fizeram com que o homem das cavernas criasse um espaço mais amplo, no qual desenvolvia objetos e utilitários com formas toscas, porém adequados às suas necessidades. Nosso ancestral resolveu juntar, literalmente, os pauzinhos – gravetos, folhas secas, fibras – e foi armando, cruzando e entrelaçando esses elementos até criar objetos para seu uso doméstico e pessoal. Nascia a cestaria e dela surgiu a tecelagem.

Cronologicamente o linho é a fibra têxtil mais antiga, datada em cerca de 10.000 a.C. na Mesopotâmia e Egito. A lã cerca de 7.000 a.C. nos povos da Mesopotâmia. Em seguida o algodão, detectado em filamentos nas civilizações antigas do Paquistão e da Índia cerca de 3.000 a.C. A fibra natural menos antiga é a seda, datada em torno de 2.700 a.C. na China.

Por volta de 1270 da Era Cristã, a tecelagem era um trabalho exclusivamente feminino. Posteriormente a ciência e a tecnologia trouxeram técnicas têxteis mais vigorosas nos séculos XVIII e XIX, num movimento de industrialização da tecelagem. Hoje, em pleno século XXI, alguns aspectos da tecelagem apresentam-se como verdadeiras obras de arte.

 

 

 

 

Fonte: Livro Moda – Desde o século XVIII ao século XX

Durante toda a trajetória do homem e do tecido, o ato de cobrir-se ou embalar-se foi relacionado ao adorno, proteção, conforto, simbologias ou costumes. A história fala das primeiras embalagens do corpo – embalagens como símbolo de invólucro externo. Isso é mais antigo do que se imagina, pois a imagem bíblica de Adão e Eva, que tem significados que vão além da história da maçã, marca uma fronteira entre o homem-animal e o homem-pensante.

O tecido é, sem dúvida, uma identidade cultural – com raízes histórias que apontam para povos de diferentes épocas, desvendam modos de viver e traçam um peculiar mapa geográfico.

Por Roberto Rubbo

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