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03/06/2013

Cindy Sherman e os estereótipos femininos

Todos já devem ter ouvido a expressão que diz que “As mulheres se vestem para as mulheres”, sugerindo que nos importamos com o olhar feminino muito mais do que com o masculino. Como se as críticas relevantes, ou elogios, ao nosso visual viessem das mulheres, visto que, de acordo com essa ideia, os homens não seriam capazes de perceber uma mulher mal vestida, ou simplesmente sem graça. E, mesmo que percebessem, as mulheres não se importariam com isso.

O que interessa pensar no momento é se, de fato, não é esse olhar masculino que determina o jeito feminino de vestir, bem como o comportamento das mulheres. Essa ideia é defendida por Cindy Sherman, artista americana reconhecida desde os anos 1980 por autorretratos conceituais.
Nestes retratos, a artista levanta questões importantes sobre o papel e a representação das mulheres na sociedade e na mídia. Em cada retrato, Sherman interpreta uma personagem: são donas de casa, secretárias, viajantes, mulheres fatais, divas, jovens indefesas, vilãs.

Todas elas, identidades colhidas no que ela julga serem os estereótipos femininos idealizados pelos homens. Ou seja, de acordo com a artista, somos mulheres fruto do que os homens idealizam; as mulheres são o que os homens querem que elas sejam. Pensamento forte e desafiador desde os anos 1960, tratado incessantemente pelas feministas de plantão, mas sempre atual.

 

Imagem: Autorretrato da artista Cindy Sherman/ Reprodução

 

Cindy Sherman usa a arte como um palco, onde desfila seus papéis femininos, criando identidades móveis que ocultam o suposto “eu verdadeiro”. Assim, a mulher por ela mesma, na sua crua identidade, jamais aparece. 
Importante também observar que as mulheres destes retratos são destituídas de vontade, de uma dimensão íntima; não há nada ali que revele algum conteúdo. São mulheres vazias a espera de que alguém lhes diga o que fazer. São mulheres a espera de um homem, a espera de identidade.

Os figurinos escolhidos por Sherman para compor essas personas são puro estereótipo e têm papel fundamental na composição desse ideário. A atitude somente, não bastaria para ilustrar as personalidades exibidas pela artista se ela não pudesse dispor da roupa. A roupa, enquanto escolha livre dos sujeitos, além de indicar distinção social e de gênero, comunica quem o sujeito é, ou, no mínimo, quem ele deseja ser.

 

 

 

 

 

 

 

Imagem: Autorretrato da artista Cindy Sherman/ Reprodução

 

Por Ana Carolina Steil
Pós-graduanda em Mídia moda e Inovação Senac/RS

 

 

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