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26/09/2014

As costureiras e a autonomia criativa

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP*

Historicamente, o luxo e a riqueza do vestuário associados à história da França remetem ao século XVI, quando o rei e a corte se instalaram em Paris no Palácio do Louvre. Essa mudança impulsionou os setores econômicos urbanos, no sentido de atender a uma crescente demanda por produtos de luxo. A proximidade da corte estabelecida na cidade transformou o modo de se vestir e criou uma nova tendência doravante conhecida como moda: a diversidade do corte, de tecidos e de cores foi crescentemente valorizada pelas elites, de tal forma que não bastava ter apenas uma túnica, mas uma diversidade e profusão de peças.

Foi nesse período que alfaiates, costureiras, bordadores e tingidores alcançaram uma posição de destaque entre os artífices de todas as áreas, pois eram responsáveis por traduzir em roupas, por intermédio das suas habilidades, a pompa e o espetáculo da vida na corte, bem como causar a melhor impressão possível dos nobres que a vestiam. Porém, a formação de padrões de vida baseados na elegância e sofisticação foi redefinida na França com a ascensão ao poder de Luís XIV, o Rei Sol, no século XVII, que se valeu do saber fazer francês para estabelecer o domínio daquilo que viria ser conhecido como o rentável mercado.

O estilo de vida determinado durante o reinado de Luís XIV continuou no século XVIII e a figura da rainha Maria Antonieta foi uma das mais imitadas pelas jovens da corte francesa e posteriormente influenciando a maneira de vestir das jovens burguesas.

Até o século XVII, o status da costureira, era quase que nulo. Ela fazia consertos e ajustes a alfaiates e camiseiros famosos e poucas conseguiam construir uma rede de clientela edificada, sendo que somente mestres alfaiates tinham legitimidade para vestir a elite. Somente em 1675, por ordem por ordem do rei Luis XIV, é que as mestras costureiras adquirem reconhecimento e podem vestir mulheres da corte, entretanto sem poder ainda ter em suas lojas quaisquer peças de tecido ou comercializá-las. Tais costureiras estavam divididas em quatro categorias:

 

 

  • Costureira de vestuário;
  • Costureira de roupas infantis;
  • Costureira de camisa;
  • Costureira de acabamentos.

Somente em 1782 é concedido o direito de rivalizar com os alfaiates na confecção de corpetes, espartilhos, crinolinas, robes masculinos e trajes para baile. A partir de então, algumas se tornaram famosas, entre as que ficariam para a posteridade podemos citar Rose Bertin, na época de Luiz XVI, Madame Palmyre, na de Carlos X, Mademoselle Beaudrant, na de Luiz Felipe. Por maior que fosse a notoriedade da costureira, sua autonomia criativa ainda não era permitida.

Os tecidos eram classificados segundo as estações: para o inverno, veludos, cetins, ratinas, percal; para o verão, tafetás; para o outono e primavera, os percais leves. Até as rendas variavam de acordo com as estações. O ponto inglês, embora não fosse mais quente que a malina, já não podia aparecer antes das festas de Longchamp. As peles eram usadas a partir do dia de todos os santos; na Páscoa, abandonava-se os regalos, sendo proibidos retomá-los mesmo que nevasse. Assim que uma mulher chegava aos quarenta anos já não podia apresentar-se na corte sem um coque coberto por uma renda preta.

A organização vestimentar da corte era regida por assembleias anuais que determinavam as possíveis mudanças que iriam ser introduzidas na moda. Tais mudanças eram mínimas e somente aconteciam de maneira intensa quando uma rainha estrangeira trazia a maneira de vestir para corte.

O papel da costureira era confeccionar a roupa somente após o cliente ter escolhido o tecido, sendo a forma colocada em segundo plano. Rose Bertin, mesmo considerada como uma ministra da moda, vivia sobre o crivo criativo de sua sobera Maria Antonieta. Esta organização de moda, ainda que com pouca liberdade criativa no que diz respeito as formas, para Rose ainda era muito vantajosa, pois atraia clientes que queriam vestir conforme a moda de Maria Antonieta.

 

 

 

 

 

 

Rose Bertin, ministra da moda

Grande artesão à serviço da imperatriz Josefina e depois da imperatriz Maria Luiza, Hippolyte Leroy conseguiu impor suas ideias de maneira moderada através de sugestões e alusões, mas a cliente dava a palavra final da criação. Tal situação só começou a mudar com a costureira Madame Roger, que mesmo com desenhos convencionais e poucas mudanças de silhueta, criava o design de superfície de seus tecidos e oferecia aos clientes. Posteriormente confecciona e os vendia às suas clientes, sendo este modelo o primeiro momento de criação do costureiro aos longos dos anos. Tal prática trouxe à Madame Roger lucros dobrados.

 

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