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17/07/2013

A arte contemporânea auxilia a construir os valores criativos

No texto de hoje, vou continuar falando sobre o que visitei-vi-li-vivi-senti, como fiz no texto anterior sobre “A emocionante arte de Sheila Hicks”, em que abordei algumas das experiências vividas no mundo da moda.

Uma sala ambientada por uma desconexa coleção monocromática de móveis e objetos em tons de vermelho. Um barraco de madeira, à moda de construções presentes nas favelas brasileiras. Uma estrutura feita de tule de lycra, que remete às formas orgânicas e fazem alusões corporais e sensuais. Uma instalação sonora composta por alto-falantes que emitem uma canção polifônica, cantada pelo coro da catedral de Salisbury, Inglaterra. Refiro-me às obras Desvio para o Vermelho, de Cildo Meireles; Embutidos, do artista Marepe; Nave Deusa, de Ernesto Neto; e Forty Part Motet, da artista canadense Janet Cardiff,  respectivamente. Essas obras – sim, obras de arte! – fazem parte do acervo do Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, que fica em Brumadinho, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

O local é visita obrigatória para os que precisam se alimentar de referências significativas, potencialmente capazes de estimularem e/ou se transmutarem em ideias inovadoras. É um espaço cultural, projetado especialmente para receber obras de arte contemporânea.

Obras: Forty Part Motet, da artista canadense Janet Cardiff; Desvio para o Vermelho, de Cildo Meireles; Nave Deusa, de Ernesto Neto, respectivamente.

 

O que se vê em Inhotim é a arte contemporânea em toda sua pluralidade de expressões – bem como seus inevitáveis estranhamentos. De um lado, o resultado do processo criativo do artista, ancorado em justificativas estético-conceituais. De outro, o olhar do espectador, seguido, habitualmente (pra não dizer, sempre) de uma interrogação.

Acostumado a pensar a arte como algo distante do cotidiano, colocada numa moldura e/ou num pedestal, é natural que se questione a natureza daquilo que (excentricamente) se apresenta diante dos nossos olhos. Onde estão as pinturas e as esculturas? Afinal, o que o espectador (aquele que se atreve a enveredar pelos meandros da arte contemporânea) observa nas galerias, nos jardins e nos demais modernos espaços arquitetônicos de Inhotim não possui conexão com aquilo que, durante anos, ele entende (ou, ao menos, foi ensinado a apreender) como arte.

Ademais, se nosso olhar e sentidos não foram treinados para apreciar a arte clássica (legitimada, canonizada e irrefutável), imagine o que significa estar diante de obras características da arte contemporânea – terreno instável, escorregadio, fluido, destituído de qualquer solidez. Impossível ao espectador (seja ele leigo ou conhecedor das artes), no entanto, ficar indiferente a tais obras. Pelo menos em Inhotim.

A beleza, a energia e a aura do lugar provocam/convocam o observador. O espaço é um convite à interatividade, o que, inevitável e paradoxalmente, “aproxima” o espectador da obra. Explorar. Conhecer. Descobrir. Relaxar. Inquietar-se. Os aspectos sensoriais e experienciais proporcionados pelo belo museu “chamam” pelo espectador e denunciam que os significados se encontram abertos e em plena construção – à espera daquele que constrói sentidos a partir de caminhos indicados pelas obras plástico-arquitetônico-paisagísticas de Inhotim.

Em Inhotim, o diálogo entre obra e espectador é uma experiência que agencia a sensibilização para a fruição dos valores da criação.

Por Clícia Machado
Consultora da Federação das industria de MG
 

 

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