Valor agregado ao produto de moda: o que é?

Por que alguns produtos têm “poder” e outros não? O que justifica a condição de imanência ao longo do ciclo de vida mercadológico? Seria por causa dos aspectos estéticos ou funcionais? Preço? O quê transcende o conceito de “valor agregado à marca” de produtos como os de Louis Vuitton, Geová Rodrigues ou mesmo inocentes Teddy Bears?

No texto O valor agregado e o belo no barroco (parte II), vimos que a coleção de Lacroix (1998) e da D&G (inverno 2014) alcançaram esse mérito. Modelos impregnados de tecidos com valor histórico e formas perfeitas reivindicaram o conceito de belo…

 

Campanha Louis Vuitton, 2012: Mérito através do conceito de belo: sofisticação engajada 

Mas como ultrapassar o “valor agregado à marca” em produtos ou serviços?

Bem, vamos por partes: tal conceito entendido conforme Rocatto (Venda+ Valor. Como Vende Valor e não Preço, 2010) determina que, para ter valor agregado ao produto de moda, deve-se oferecer benefícios, utilidades, qualidades e/ou méritos.

Dessa forma, o preço de um produto (ou serviço) não garante mais sobrevivência no mercado. Clientes compram pela percepção que têm dos produtos e serviços; pela experiência das emoções e sensações que proporcionam, ou seja, pelo valor agregado ao produto de moda.

O valor agregado ao produto de moda, hoje em dia, constrói-se, sobretudo, por seus méritos. Sim, contam aspectos palpáveis como funcionalidade, comodidade, durabilidade (etc.). Mas, ao mesmo tempo, a certeza de que são criados sob um propósito: ter seu lugar no mundo…

Existem para definir sentimentos como os de amor, carinho, beleza, engajamento, sustentabilidade social e/ou ambiental, etc. Nasce daí, a “imanência mercadológica”.

 

 

 

Geová Rodrigues: mérito pelo design ético – desconstrução, construção, sustentabilidade 

E, à relação – produtos (ou serviços), clientes e percepção – somam-se estratégias de integração entre eles. Faccioni (The Black Book of Fashion: como ganhar dinheiro com moda) as exemplifica através do que ele chama “canais de difusão”.

As marcas acima descritas tiveram como estratégias de difusão o design e marca qualificados: ao evidenciarem o belo, a eficiência, qualidade (ao longo do tempo em que estão no mercado) reforçaram sua vocação em tornarem-se tendências, não segui-las.

Por Joelma Leão
Professora Universitária e Consultora de Moda, Educação e Comportamento de Mercado

 

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