Realidade dos cursos de moda: universidade x mercado (parte II)

No último post – Cursos de moda no brasil e sua importância para o profissional de moda – falávamos sobre uma matéria que saiu em um blog (acesse a matéria aqui), no qual o autor se dizia frustrado com o curso de moda que escolheu. Para ele, existem razões para achar que a universidade é distante da realidade do mercado, que os professores são arrogantes por acharem que moda é glamour… Dentre vários outros motivos expostos por ele. Fiz uma réplica sobre a realidade dos cursos de moda ao que o autor escreveu, por discordar de grande parte do que ele afirma no texto.

E agora trago mais algumas razões para refletirmos sobre a veracidade do que foi dito pelo designer:

4. O autor se contradiz quando fala que a moda ensinada aqui não tem nada de conceitual e não é voltada para o mercado. Talvez não tenham lhe ensinado que conceitual nada mais é do que ser criada a partir de umconceito. Um designer sempre parte de um conceito, o fim para o qual se destina seu projeto é que irá determinar o seu formato e apresentação.

No Brasil não temos um mercado criador, mesmo porque não temos grandes semanas de apresentação de criadores, não temos grandes patrocinadores. Os estilistas internacionais se dão ao luxo de apresentar aquelas coleções conceituais naked (que estão brutas, sem adequação ao mercado consumidor) porque tem grandes conglomerados que pagam por elas e sabem que aqueles desfiles milionários não serão nada comparados à mídia que receberão.
Aqui, ao contrário, não há mídia espontânea, tudo é vendido, tudo é pago, não há incentivo e nem patrocínio, nem a grandes e muito menos a pequenos;,é briga por um carretel de linha, então não se pode fazer tal comparação.

5. Em geral, não há briga de egos no universo acadêmico da moda. Muitas vezes os alunos se frustram exatamente porque buscam isso, mas não encontram glamour, brilhos e purpurinas. Os que são maduros logo percebem que é uma profissão como qualquer outra. Quem pensa que será a próxima Chanel ou Gisele Budchen, e se depara com a realidade dos cursos de moda, pula logo fora. Talvez isso também tenha sido uma situação do curso do autor…

6. Para finalizar, devo dizer que as empresas, indústrias e empresários da moda, fariam muito bem em contratar designers de moda, mas a realidade dos cursos de moda é que a academia está longe do mercado muito mais porque o mercado rejeita os formados do que porque o curso mantém distancia do mercado. Hoje a tendência das universidades, sobretudo para cursos superiores de tecnologia, é que os docentes também atuem no mercado, e isso aproxima e não afasta como ele diz. No entanto, sem a crença de que um profissional trará benefícios, nada muda e o abismo se abre.

Não tem sido fácil conseguir estágios e até mesmo visitas técnicas para os alunos, pois muitas empresas estão acostumadas com sua produção familiar ou leiga, mas que funciona mesmo com prejuízos, vê no profissional uma ameaça, pois este às vezes muda e mudanças… Doem e incomodam.

Por Gabriela Maroja
Professora e Coordenadora da Graduação e Pós-Graduação em Moda no Unipê/JP

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