Mercado globalizado discute significado do preço justo

Um assunto um tanto quanto delicado tem emergido na mídia especializada com relação à indústria da moda: os preços dos produtos na era globalizada. O mais grave é que a discussão tem surgido por meio do grito dos consumidores.

Muito já se disse sobre as mudanças nos processos produtivos com a transferência de funcionários para os países periféricos no esforço de baratear custos e cobrar preços mais justos. O que está sendo discutido é o real significado da expressão “preço justo”.

Devido ao crescimento vertiginoso e ao sucesso exponencial das marcas do grupo Inditex no mundo, entre elas a Zara, a Zara Home, Massimo Dutti, Bershka, Pull&Bear, Stradivarius e Oysho, aliado a outras marcas de moda de atuação global como a H&M e GAP, há no ar um sentimento de “quanto mais em conta, melhor”, sem medir as consequências. Visto que hoje o consumidor tem a informação instantânea e uma mobilidade muito maior, ele tem ditado caminhos alternativos.

É bastante comum nesta época do ano, devido à proximidade com o Natal, ver anúncios de excursões de compras para outros países. Também não são poucas as propostas de compra de peças em “países periféricos” e envio dos produtos pelo correio para “países centrais”. O Ebay (Mercado Livre, no Brasil) esta assoberbado deste tipo de oferta, apelidado de BNWT (sigla da expressão “brand new with tags”, que em português significa, produto de marca original, novo e com as etiquetas).

Muitos dirão que se trata de evasão de divisas ou que os consumidores estão apelando para práticas duvidosas, mas a discussão do custo e do preço justo continua pairando no ar.

Por Maria Alice Rocha
Doutora (PhD) em Design de Moda

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