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Entrevista – Claudia Leal Motta

A entrevista do Clube News, da segunda quinzena de setembro, é com a empresária Claudia Leal Motta, de 46 anos. Com formação acadêmica em Arquitetura, ela possui também qualificações pelo Sebrae como: Empretec, Programa Sebrae de Gestão da Qualidade (PSGQ) e Programa de Gestão de Pessoas (PGP), entre outras.

Atualmente, ela participa de uma qualificação para Gestores de Alta Performance pela Fundação Dom Cabral, o PDG – Programa de Desenvolvimento de Gestão, inspirado no PAEX e voltado para pequenos e médios empresários; um programa inovador da FDC, do qual Claudia faz parte da primeira turma no Brasil.

A empresária ressalta que sua fonte de inspiração para o trabalho que desempenha atualmente é o pai do empreeendedorismo social no mundo e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Muhammed Yunnus. Ele é fundador do Grammen Bank, o primeiro banco de microcrédito do mundo, que investiu em um formato de negócio inovador que permite uma melhor distribuição da renda e a qualificação de empreendedores, que antes eram pessoas sem oportunidades.


 

Confira a entrevista, a seguir, em que Claudia sugere algumas práticas de gestão para as confecções de roupas, bem como expõe iniciativas de cooperação entre empresas do setor, que trouxeram bons resultados.

Clube News – O setor de vestuário brasileiro sofre bastante concorrência dos produtos importados. Na sua opinião, o que as empresas nacionais devem fazer para conseguirem ser competitivas?

Claudia Leal Motta A disputa entre os mercados sempre existiu. Porém, o que vemos atualmente no mercado global, especialmente na China, é uma maior qualificação de setores que tradicionalmente eram menos profissionalizados, como o da Indústria do Vestuário. Na China é comum encontrar parques fabris de pequenas e médias confecções altamente mecanizados e com tecnologia de ponta, o que garante uma produção de qualidade e com alto volume. No Brasil, somente grandes confecções investem nesses recursos. As pequenas e médias indústrias são pouco profissionalizadas e, quando têm acesso a alguma tecnologia, não têm mão de obra capacitada para sua utilização. Considero fundamental o constante aperfeiçoamento das técnicas, e investimentos em novas tecnologias dentro das confecções de todos os portes, bem como o investimento constante no treinamento e na capacitação de pessoas dentro e fora da organização (terceirizados). Empresários deveriam buscar uma maior atuação no nível estratégico da empresa, prevendo, em seus planos e orçamentos, o investimento em tais tecnologias e nas pessoas da organização. Com uma maior profissionalização dos gestores das pequenas e médias confecções do Brasil, certamente podemos mudar o cenário desse segmento em alguns anos.

CN – Na sua visão, como a cooperação ou mesmo o associativismo entre empresas pode favorecer a indústria de confecção de roupas? 

Claudia – Verificamos que regiões, como o Vale do Silício nos Estados Unidos e Israel, são ótimos exemplos de como o trabalho em conjunto favorece o crescimento de todos. Tais regiões concentram um expressivo número de start-ups. Empreendedores que se uniram com o objetivo de gerar inovação científica e tecnológica impulsionaram a indústria local, como a de Informática, no caso do Vale do Silício. No Brasil já encontramos muitas regiões dedicadas ao coworking, ou seja, compartilhamento do mesmo espaço físico e integração de seus usuários com ricas trocas de experiências e que favorecem o desenvolvimento de todos. Em geral, tais iniciativas são comuns no setor de TI, com a criação de Incubadoras e Aceleradoras, estruturas responsáveis por abrigar os empreendimentos com potencial para desenvolvimento, inovação e replicação em escala. Porém, ainda é pouco usual a inovação em outros setores industriais, especialmente no Brasil. Ainda precisamos de uma mudança estrutural mais complexa, inclusive cultural, do empreendedor brasileiro para transformar o nosso cenário atual.

CN – Como você avalia o modelo de Arranjo Produtivo Local de Confecções? Poderia citar uma experiência?

Claudia – O APL é exatamente o fruto de investimentos e esforços de Empresas, Governos e Entidades, com a finalidade de desenvolver a vocação de uma determinada região para uma atividade. No caso de Americana/SP, foi criado um projeto inovador, uma Incubadora Social – REDESOL, que vem justamente ao encontro da necessidade de subsistência da Indústria de Têxtil e de Confecção dessa região, propondo um modelo cooperado entre os Microempreendedores Individuais e as pequenas e médias empresas do setor de confecções e têxteis, que poderão: compartilhar o uso de tecnologias disponíveis aos empresários associados ao projeto, como obter capacitação desde a gestão até a operação do negócio; compartilhar marcas coletivas que terão a função de geração de negócios como compras coletivas, vendas coletivas ou até mesmo a formação de grupos para exportar. Um dos principais impactos positivos do Projeto da REDESOL tem sido propiciar aos empreendedores contato com as melhores práticas de gestão, além do desenvolvimento de uma visão de futuro de médio e longo prazo.

CN – Em que consiste o projeto REDESOL? Como ele contribui, por exemplo, para evitar a desindustrialização? 

Claudia – A REDESOL pode ser considerada um berçário de empreendedores do setor do vestuário. Nossa principal atuação é a educação da figura do empreendedor, administrador e empresário; e fazemos isso contando com importantes parcerias como o SEBRAE, que tem nos acompanhado especialmente na orientação de empresários em formação. Acreditamos que a construção do conhecimento para todos é o melhor caminho para a liberdade. O empresário consciente, e que conhece o seu negócio, o seu mercado e as suas fragilidades e potencialidades poderá, mesmo em momentos de crise como o atual, tomar decisões e realizar escolhas favoráveis ao seu empreendimento, por exemplo, o que ocorreu no modelo de negócios HQZ Uniformes que atende hoje uma fatia de mercado cujas fábricas de roupas profissionais tradicionalmente não querem atender, por visar apenas grandes volumes. O combate à desindustrialização, portanto, virá com o amadurecimento das empresas oriundas desse berçário, com uma atuação profissionalizada e visão inovadora, desde o formato de sua gestão até o olhar do produto.

CN – O contexto atual é marcado por constante avanço tecnológico. Qual a importância da qualificação profissional nesse cenário? 

Claudia – Hoje nosso principal parceiro em tecnologia, a Audaces, tem propiciado às empresas do Polo Produtivo de Americana/SP e região e participantes do Projeto da REDESOL justamente o acesso às tecnologias que reduzem custos e desperdícios na produção (com os softwares Audaces Vestuário e Audaces Digiflash) e que otimizam processos, planejam compras e prevêem gastos antes sequer de se produzir uma peça piloto (como o software Audaces Idea). Com essa parceria, podemos ainda aplicar uma capacitação específica em cada um desses sistemas e demonstrar por meio do Programa de Inovação Competitiva que as pequenas empresas podem e devem estar inseridas em um contexto de tecnologia e inovação, já que isso está acessível para todos através dos treinamentos e da prestação de serviços das empresas do Polo Produtivo pela REDESOL.

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