Consumidor e tendência para o e-commerce de moda são pautas do Fashion Digital Nova York

Por Eduardo Vilas Bôas

Professor de Moda do Senac SP

O e-commerce de moda tem crescido a olhos vistos no mundo e, especialmente, no Brasil. Mas, assim como no varejo físico, oferecer produto pelo produto já não é mais o suficiente. O consumidor tem exigido cada vez mais uma experiência de compras relevante.

O evento Fashion Digital Nova York, que acontece anualmente nos EUA, discute os desafios do e-commerce global e aponta tendências com o objetivo de aumentar o envolvimento do cliente e maximizar a participação de mercado das marcas. Um dos destaques concentra-se na criação de estratégias de conteúdo que acrescentem profundidade e significado para a experiência de marca, já que os consumidores exigem hoje o mesmo padrão da loja física no ambiente virtual.

O marketing de conteúdo é a ferramenta que faz a gestão do conteúdo e pode ser entendida por duas abordagens. O Branded Content quando a marca produz conteúdo útil e/ou divertido e o liga a sua proposta de identidade, estimulando a interação do usuário. E o chamado User-Generated Content (Conteúdo Gerado pelo Usuário), como é o caso de depoimentos, resenhas, avaliações, piadas produzidos e compartilhados espontaneamente ou de forma induzida pelo usuário.

Esse conteúdo, no entanto, deve ser essencialmente personalizado. Aquilo que no varejo físico é praticamente impossível, no contexto virtual ganha relevância através de métricas que verificam a navegação e intenção de compras – ao abandonar um carrinho de compras em um e-commerce de moda, por exemplo.

Aliás, o clico de vida do consumidor online é diferente também e passa por três fases: a consciência, o engajamento e a conversão. A personalização da comunicação e da oferta de produtos, em e-commerce de moda ou de outros mercados, estimula esses três aspectos, exatamente por ser objetiva e direcionada. Mas, para cada etapa deve-se pensar em estratégias complementares.  

CONSCIÊNCIA – uma série de boas-vindas, ações e informações sobre a história da marca e que a torna único, mensagens sobre produtos e como eles são feitos, informações sobre serviços de valor acrescentado, incentivos à interação em mídia social, anúncios de alta qualidade, promoção de novos produtos e ofertas.

ENGAJAMENTO – look books sazonal, perguntas e respostas frequentes, lojas próximas, produtos favoritos, informações detalhadas sobre serviços e programas de fidelização;

CONVERSÃO – conteúdo gerado pelo usuário, look do dia, recomendações de produtos, manutenção das informações sobre os produtos, links para blogs, convites para acessar conteúdo exclusivo, depoimento de anônimos, famosos e influenciadores do público-alvo sobre a marca.

Por fim, o Fashion Digital Nova York recomenda que os varejistas se lembrem de manter foco nos desejos, necessidades e preferências dos clientes, manter-se fiel a identidade da marca, abraçar o conteúdo gerado pelos usuários, testar e experimentar com diferentes formatos e mensagens, e, personalizar as ofertas, mensagens e recomendações para se conectar com clientes em um nível mais íntimo.

Referência: Fashion and Trends in Online Retailing. Tradedoubler.

 

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