Comportamento e consumo de moda para o segmento infantil

Por Eduardo Vilas Bôas
Professor de Moda do Senac SP

As intensas mudanças no comportamento feminino nas últimas duas décadas têm provado drásticas mudanças nas taxas de natalidade no Brasil. Enquanto a população cresceu 42% desde 1980 (IBGE), o crescimento infantil foi de apenas 8%. Isso coloca o povo brasileiro entre as menores taxas de fertilidade do mundo, perdemos apenas para Europa e Ásia Central, ficando ainda muito abaixo da média geral da América Latina e Caribe, conforme ilustra o gráfico abaixo.

Se antes as mulheres paravam de trabalhar para se casar ou ter filhos, hoje conciliam tudo e só param quando se aposentam. No quesito estudo elas superam os homens, em 2007 já eram 57,1% dos universitários. Nas áreas urbanas elas têm, em média, um ano a mais de estudo que os homens. Ou seja, mais inseridas no mercado de trabalho, no controle de sua capacidade gerativa e mais instruídas, as mulheres têm tido menos filhos.

Assim, a importância dos filhos aumenta, bem como o seu papel dentro da família. Melhor educação, mais atenção dos pais, acesso a produtos de melhor qualidade. Essa geração é mais bem informada e, por isso, tem voz ativa. Estas crianças são cada vez mais influenciadoras dentro dos lares e só consomem o que lhes agrada. Elas influenciam, opinam, são influenciadas e disseminam suas ideias, porém continuam sendo crianças, cujo desejo sempre será a diversão.

Dessa forma, compreender o comportamento e forma de consumo dessas crianças nos possibilita pensar produtos e serviços cada vez mais adequados. Alguns observatórios têm apontado três temas norteadores para esses estudos, onde o foco sempre é brincar. Os temas são: Diversão Digital, Olhar Infantil e Engajamento.

Diversão Digital: Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), no período de 2005 a 2011, o índice proporcional dos domicílios possuidores de computadores mais do que dobrou nas áreas urbanas brasileiras. No que se refere ao total dos domicílios brasileiros, a penetração dos computadores, em 2011, no comparativo com o ano anterior, evoluiu dez pontos percentuais, saltando de 35% para 45%. Isto é, as crianças de hoje já nascem cercadas de opções tecnológicas e sua memória de infância estará vinculada a tablet ou smartphones. Por isso é importante estar atento e renovar sues conceitos para entender quem são estas crianças e quem serão no futuro. Por isso, brinquedos como Furby, Barbie Digital Dress Doll, Imagem & Ação em versão digital, impressora 3D para crianças como a Play-Doh 3D Printer têm ganhado a paixão dos pequenos.

Olhar Infantil: É preciso que olhemos o mundo através da perspectiva das crianças e não daquilo que achamos que uma criança pensa. Os conceitos de criança e até mesmo de infância parecem muito simples e naturais, mas na verdade são muito mais complexas por não estarem envoltos de racionalidade e pudores. A criança não é um adulto em miniatura, é preciso entender como elas vivem e como pensam o mundo. É preciso pensar nas roupas – e demais produtos – além da proteção para brincadeiras ou do aspecto estético para que possam se tornar também uma diversão, para que proporcionem conforto e apresentem valor para os pequenos. Por exemplo, o hospital A.C. Camargo encontrou um jeito diferente de tratar crianças com câncer, para isso, em vez de coquetéis, as crianças passaram a ser tratadas com uma “Superfórmula”, tendo os medicamentos embalados em caixas com temas de heróis da DC Comics. Ou ações mais simples, como a artista de alimentos Ida Skivenes que reproduz em seu trabalho a ideia de que a comida deve ser saborosa e nutritiva, porém sempre divertida.

Engajamento: As crianças de hoje influenciam, opinam, são influenciadas e disseminam suas ideias. Neste contexto, volta-se a falar das crianças índigo ou cristal. Crianças com habilidades especiais, mais sensíveis e perceptivas que têm uma noção clara da importância da vida global e vieram com o objetivo de evoluir a compreensão dos humanos e são consideradas uma poderosa força de amor e paz no planeta. Esse perfil de crianças quer participar, interagir, opinar e, por isso, gostam de produtos nos quais possam interferir e personalizar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências:
Mundo do marketing; Pesquisa: Gerações Interativas Brasil – Crianças e Jovens diante das Telas – Fundação Telefônica Vivo; www.hypeness.com.br; Folha de São Paulo; Revista Exame; Território do Brincar

 

 

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